Efésios 5:25

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.”

Participei de uma cerimônia de casamento recentemente, onde, como normalmente se faz, o pastor compartilhou um sermão sobre a importância do relacionamento entre um homem e uma mulher. O que vou escrever aqui não é sobre o que ouvi naquela pregação, mas sim sobre um pensamento que me capturou naquele momento e que me ajudou a ver de modo diferente a importância da aliança de um casamento e, o mais importante, a importância da aliança que temos com Deus por meio de Jesus Cristo.

A passagem citada acima aponta para os maridos o modelo de amor que devem dispensar às suas esposas. O modelo é Cristo. E o exemplo que ele deixou foi de total entrega, de dar a sua vida. Como já disse neste post, o homem que quer se casar tem que se perguntar se ele está disposto a dar a sua vida pela sua futura esposa. Literalmente. Esse é o tipo de amor requerido dos maridos.

Lembrei-me então da passagem de Gênesis 2:23, quando Adão, recebendo Eva, depois de ter sido formada por Deus, disse: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

Adão não escolheu Eva apenas por falta de opção, por ser a única mulher existente no mundo até aquele momento. Houve uma identificação. Ele viu em Eva seu complemento. Ocorreu ali uma aliança. Quando ele disse que Eva era ossos dos seus ossos e carne da sua carne ele estava expressando uma compreensão de que aquela pessoa diante dele era o que faltava para que se sentisse completo. Esta deve ser a razão de todo relacionamento. O reconhecimento de que você não pode ter uma vida plena sem seu companheiro ou companheira. Este reconhecimento pode parecer algo egoísta, mas não é. Pois não apenas você será completado, mas você também completará seu companheiro. Quando há apenas um dos parceiros sendo completado, aí sim há egoísmo, e o relacionamento sofrerá consequências negativas no longo prazo.

Antes deste primeiro casamento, Deus havia dado uma ordem a Adão, de que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17). Mesmo com essa ordem tão clara, Adão ainda assim comeu daquele fruto, depois de Eva o ter comido por sugestão da serpente (Gênesis 3:6). Sempre fiquei intrigado com este fato. Como Adão pode ter sido tão displicente com uma ordem tão específica dada pelo próprio Deus? Ele sabia que não deveria comer, mas mesmo assim comeu! Ele tinha conhecimento do risco, sabia qual era a pena pela desobediência. O que se passava em sua mente quando ele aceitou comer daquele fruto?

Foi durante este último casamento do qual participei que me veio, de repente, uma explicação para este fato. Ao aceitar o fruto de Eva, Adão se comportou como Cristo, em um ato profético, apontando o  que Jesus faria milhares de anos depois. Cristo se entregou pela humanidade, se identificando conosco, mesmo com o comprovado histórico de rebeldia de nossa parte. Não havia a menor garantia de que o ele estava fazendo daria resultado. Mas ele se fez pecado (2 Coríntios 5:21), assumindo o risco de se afastar do Pai (o que nunca havia ocorrido antes) para, de alguma forma, conseguir resgatar-nos. E ele nos resgatou com um preço muito caro: seu próprio sangue.

Voltando a Adão, percebo a mesma atitude. De repente ele ve os ossos de seus ossos e a carne de sua carne desobedecendo a uma ordem direta de Deus. O que ele poderia fazer? Uma primeira opção seria negar o fruto e romper a aliança com Eva. Ele poderia dizer: “Você pecou e ainda quer que eu peque? De maneira alguma! Vou permanecer fiel a Deus, e você, sozinha, que sofra as consequências de seu ato”. Mas não foi o que ele fez. Ele comeu juntamente com Eva, consciente do fato. É como se ele dissesse para Eva: “Sei que o que você fez é errado. Mas tenho uma aliança contigo. Mesmo correndo o risco de morrer e me afastar de Deus (o que nunca havia ocorrido antes), vou me colocar ao seu lado, na esperança de que Deus seja misericordioso e encontre um meio de nos resgatar.”

Não foi à toa que Paulo, ao comparar o relacionamento entre um marido e uma esposa ao de Cristo e a Igreja, disse, em Efésios 5:32, que se tratava de um “mistério”. Na verdade nossas vidas (e especialmente dos casados) seriam impactadas profundamente se conseguíssemos compreender a profundidade do amor de Cristo por nós.

Para você pensar: Se você é casado(a), até que ponto você está disposto a dar a sua vida pelo seu companheiro(a)? Você consegue compreender o impacto e a importância do preço pago por Jesus em nosso favor?

Publicado em Efésios | Marcado com , , , , , , , | 6 Comentários

Salmo 23:4

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.

Você já andou pelo vale da sombra da morte? Já enfrentou uma situação em que a perspectiva de perder a própria vida se tornou uma opção bem próxima e plausível? Passar por uma experiência traumática, de quase morte, é um evento que, com certeza, marca a vida de qualquer um. Não há como você sobreviver  e continuar a mesma pessoa. Vou relatar o testemunho de alguém que passou por uma situação dessas.

Era um jovem de quase 19 anos. Cheio de sonhos e perspectivas para o futuro, havia decidido um ano antes dar uma guinada na vida: se mudou de uma grande cidade no sul do país para uma pequena cidade no interior de Goiás. Ele buscava uma direção de Deus, um sentido para sua vida. Ele queria que, de alguma maneira, seu futuro colaborasse para a realização do plano de Deus na Terra. E ele ficou conhecendo esta cidadezinha, onde um grupo de pessoas também buscava, pelo estudo da Palavra, descobrir qual o propósito original de Deus para a Igreja. O que mais atraiu este jovem foi o fato de que eles não eram apenas um grupo “teórico”. Eles buscavam viver o que estudavam e pregavam de várias maneiras diferentes. Eles mantinham um colégio com uma educação baseada em princípios bíblicos. Eles construíam diversas casas para viúvas e necessitados. Eles mantinham uma gráfica que distribuía para todo o país literatura na forma de livretos e apostilas, frutos das diversas reuniões ou de traduções de artigos estrangeiros. Alguns buscavam viver juntos em uma chácara, tentando vivenciar a prática da vida cristã em comunidade. Este estilo de vida foi a principal razão que atraiu este jovem para aquele lugar.

Certa vez o grupo de homens do local se organizou para, em uma manhã de sábado, formar um mutirão para demolir uma construção. Era uma casa bem antiga, onde antes funcionava a gráfica, sem condições de reforma, e que ocupava o espaço na frente do local de reuniões. O grupo se organizou para retirar a telha e o madeiramento, para depois derrubar as paredes. O entulho resultante seria usado para tampar uma antiga cisterna que havia no mesmo lote.

Naquela manhã, quando o jovem chegou, o trabalho já estava em andamento, com um primeiro grupo já retirando telhas e madeiramento. Como a construção era muito antiga, assim que as telhas e madeiras de metade da casa foram retirados, as paredes logo abaixo não mantiveram a sustentação e ruíram, ficando a segunda parte da casa ainda de pé. Para adiantar os trabalhos um segundo grupo começou a jogar na cisterna os tijolos deste início de demolição. O jovem fez parte deste grupo. Enquanto isso, o primeiro grupo continuava o serviço na segunda metade do telhado.

Nesse momento aconteceu o acidente. O caibro central da parede da casa, lavrado a machado e bem pesado, desabou sem aviso prévio. A primeira ponta desta madeira caiu no chão, mas a segunda ponta atingiu diretamente a cabeça do jovem, que naquele momento estava empilhando alguns tijolos. Ele nem viu o que aconteceu. Ele caiu desacordado, e logo em seguida boa parte da parede central da casa ruiu sobre ele.

Os momentos seguintes foram tumultuados. De imediato os homens retiraram o corpo desacordado do jovem dos entulhos. Logo perceberam a seriedade dos ferimentos e o transportaram para o pequeno hospital da cidade. O médico local reconheceu que ali não era o local adequado para o atendimento e os encaminharam para uma cidade vizinha, maior, a cinquenta quilômetros, para um hospital com maiores recursos. Na falta de uma ambulância, levaram o jovem em um colchão na carroceria de uma caminhonete.

Ao chegarem à cidade vizinha, o médico de plantão diagnosticou que o acidente havia provocado a ruptura dos pulmões. Como consequência, parte do ar que o jovem respirava se infiltrava nos tecidos. Ele começou, literalmente, a inflar. Isso sem falar no trauma na cabeça, que tinha um corte profundo. Fizeram uma traqueotomia, uma espécie de abertura de um orifício no pescoço, procedimento que facilitava a respiração. Mas mesmo aquele hospital não estava equipado adequadamente para o atendimento que precisava ser feito. Entraram em contato com outro hospital em uma grande cidade de Goiás, reservaram um leito de UTI, e uma ambulância o conduziu até lá.

Foi na ambulância que o jovem recobrou a consciência pela primeira vez. A princípio ele não entendeu o que estava acontecendo. Só percebeu duas coisas. A primeira era que ele não conseguia respirar direito e se sentia sufocado. Ao passar a mão pelo pescoço percebeu que seu volume estava estranho, muito maior do que o normal. A segunda coisa que percebeu foi que estava com uma sede muito grande, mas não podia beber nada, tanto pela traqueotomia quanto pelo trauma em si. O que podiam fazer para amenizar a situação era molhar um chumaço de algodão em água e molhar seus lábios, o que o deixava com mais sede ainda.

O médico que estava de plantão no destino final era, coincidentemente, um pneumologista. De imediato o levaram a uma sala de cirurgia. Neste momento o jovem quase não conseguia respirar e se sentia como um balão. Quanto mais ele tentava respirar, mais ar ficava retido entre os tecidos, e mais pressão era produzida sobre os pulmões, impedindo assim a respiração. O jovem não se lembra se recebeu alguma anestesia ou não. Mas ele estava acordado quando o médico fez uma pequena incisão no seu lado direito, para a colocação de um dreno no pulmão. Neste exato momento o ar retido em seu corpo escapou com força, marcando de vermelho o avental do médico, e permitindo que o jovem respirasse normalmente. Nunca antes ele havia valorizado um ato tão simples como respirar quanto naquele momento.

Com um dreno em cada pulmão ele foi encaminhado à UTI. Os dias seguintes foram uma sucessão de momentos de melhora e de piora do seu quadro clínico. Por duas vezes a situação ficou bem complicada.

Em uma madrugada, provavelmente por causa do trauma cerebral, o jovem paciente teve uma reação violenta. Para ele a lembrança daquela noite foi como se ele estivesse no meio de um pesadelo. Neste pesadelo, ele estava sequestrado e precisava fugir se quisesse viver. Com a adrenalina em alta ele arrancou os drenos dos pulmões, saiu correndo pela UTI e agrediu algumas enfermeiras, antes de ser controlado por outras enfermeiras. No dia seguinte, ele acordou se sentindo grogue pela sedação, e com as mãos e pés amarrados ao leito. E com os drenos novamente colocados.

Em outra noite, e desta vez bem consciente da situação, a dor se tornou insuportável. Com os pulmões bem machucados, respirar se tornou um tormento. A cada inspiração era como se centenas de pequenas facas perfurassem cada pulmão do jovem. E a cada instante a situação piorava. Em certo momento, durante a madrugada, o jovem percebeu que provavelmente não iria mais ver a luz do dia. No meio de toda a dor, o jovem começou a se questionar se estava pronto para se encontrar com o Criador. E neste momento algo incrível aconteceu. O jovem até hoje não sabe explicar com palavras o que de fato aconteceu. Apesar de toda a dor e incômodo, o jovem se sentiu envolvido em uma paz profunda e tranquilizadora. Era como se ele tivesse se tornado um bebê, embalado no colo por um pai amoroso. A dor não importava. A morte não importava. O medo não existia. Até hoje, quando o jovem lembra-se disso, ele diz que tem saudades daquele momento, por mais estranho que isto possa parecer.

A partir daquele dia o organismo do jovem reagiu, e ele passou a melhorar visivelmente. Do acidente até a alta do hospital se passaram menos de 40 dias. Ele saiu do hospital bem magro (40 quilos), com a metade do pulmão esquerdo extraída, mas vivo.

Este é o meu testemunho, ocorrido em setembro de 1988.

Hoje eu posso afirmar que esta experiência mudou drasticamente o curso da minha vida. Nem sei dizer o que aprendi. Nem sei dizer o que mudou. Mas com certeza posso afirmar que o Senhor esteve comigo em todo o trajeto.

Deus permite que certas tragédias aconteçam para que ele possa nos mostrar sua vara e seu cajado, como diz o versículo acima.

Vara é correção. Cajado é condução.

A vara nos mostra onde estamos errados e no que temos sido falhos. A correção não é agradável em si, mas o seu resultado é vida. A vara não é instrumento de castigo. A vara é demonstração de amor e cuidado do Senhor por nossas vidas.

O cajado é o instrumento usado pelo pastor para orientar suas ovelhas. Não adianta apenas mostrar o erro. O Senhor também nos mostra o caminho. Indica-nos qual o sentido que devemos dar às nossas vidas. O cajado é o instrumento do Senhor para conduzir nossas vidas.

Cada vez que me lembro dos momentos que passei naquela UTI, consigo identificar com clareza o cuidado e o tratamento do Senhor, a ação da vara e do cajado. E serei eternamente grato por esta experiência.

Para você pensar: Você já passou pelo vale da sombra da morte? Você poderia relatar a sua experiência no campo de comentários abaixo? Você sabe identificar os momentos da sua vida em que o Senhor usou a vara e o cajado? Quais lições você tirou destas experiências?

Publicado em Salmos | Marcado com , , , , , | 6 Comentários

Gênesis 1:26-28

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.”

Qual o objetivo da sua vida? Para quê você foi criado? Quem é você?

Estas perguntas te rondam, pelo menos em algum período da sua vida. Nestes períodos você se questiona qual o sentido de tudo, para qual motivo você está na face da Terra. Se você é jovem, pode se perguntar sobre como tomar decisões que afetarão positivamente seu futuro. Se for uma pessoal adulta, pode se deparar, de repente, com uma necessidade de reavaliar seus propósitos e objetivos de vida. Se for de mais idade, pode ser que esteja se perguntando se tudo valeu a pena, se sua vida foi bem aproveitada. De qualquer maneira, essas dúvidas tem raízes nesta pergunta: Quem realmente somos?

Você pode se definir de várias maneiras. Sou jovem ou sou velho. Sou solteiro ou sou casado. Homem ou mulher. Pai, mãe, filho ou filha. Rico ou pobre. Bem instruído ou não. Calmo ou nervoso. Dependendo do momento em que vivemos, ou do ambiente em que estamos, podemos assumir variados papéis. Líder ou seguidor. Aluno ou professor. Influente ou influenciável. Ativo ou reativo. Ponderado ou intrépido.

Com tantas variáveis envolvidas, podemos nos perder em nós mesmos, e criarmos uma situação de indefinição interna. E se nos sentimos indefinidos em relação a nós mesmos, como poderemos exercer o papel que de nós é esperado? Como saber se estamos alcançando nosso objetivo na vida?

Para responder a esta pergunta precisamos voltar à nossa origem. Nada melhor do que a opinião de quem nos criou para esclarecermos estas dúvidas. E é em Gênesis que descobrimos o propósito original de Deus para a humanidade.

Façamos…

O Deus plural te criou. Esta primeira verdade é fundamental. Você não é fruto do acaso. Você é fruto da vontade de expressão do Criador. E a ação está no plural. Este Criador não fez nada sozinho. O evangelho de João, logo no seu primeiro versículo, mata a charada: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:1-3). A humanidade foi feita por Jesus, em parceria com o Pai e o Espírito Santo. Ele estava lá! E você é projeto dele!

…à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…

Somos criados por Deus, mas há algo que nos diferencia, e muito, do restante da criação. Temos em nós algo da imagem e semelhança do Criador. Eu sei que se olharmos para o ser humano hoje, é muito difícil distinguir alguma coisa de divino. Sejamos francos. Olhe para o espelho e tente identificar a centelha divina em você. Por vezes é realmente difícil ver a riqueza enterrada no meio de tantas coisas que nos envergonham. Mas ela está lá. Logo após o dilúvio, na época de Noé, há um versículo interessante em Gênesis 9:6 : “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.” Mesmo com a humanidade pecando a ponto de Deus resolver destruí-la por meio do dilúvio, esta verdade ainda assim permaneceu: Somos criados conforme a imagem de Deus.

…domine … sujeitai-a …

Outro ponto que nos diferencia do restante da criação é que fomos colocamos em uma posição de comando neste planeta. Deus poderia governar diretamente o Planeta Terra, mas escolheu um canal para isso. Fomos criados à imagem do Criador para que o restante da criação pudesse ver espelhada na humanidade todos os atributos deste Criador. A autoridade da humanidade sobre a criação só tem sentido e propósito se for exercida em submissão a quem estabeleceu esta cadeia de comando. Só em comunhão com Deus poderemos espelhar os atributos divinos.

Jesus certa vez disse: “Quem me vê a mim vê o Pai.” (João 14:9). Jesus, o Deus-Homem, cumpriu o propósito original do homem. Este é o principal objetivo da criação do homem. Não somos criados para estar no mesmo nível de Deus, como a serpente almeja (veja Gênesis 3:5), nem no mesmo nível da criação. Temos uma função a ser exercida neste planeta. E esta função será plenamente exercida quando o Deus-Homem voltar para reivindicar o total domínio sobre a criação, que ele adquiriu por um preço muito alto.

Para você pensar: Se a criação geme (Romanos 8:22) não seria por causa da má atuação da humanidade como intermediária entre Deus e a criação? Com que frequência as pessoas olham para você e conseguem perceber algum atributo divino? O que você faz hoje está te preparando para auxiliar no futuro governo do Deus-Homem?

Publicado em Gênesis | Marcado com , , , , , , , , | 8 Comentários

I Coríntios 12:4-7

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.”

O que diferencia a Igreja de todas as outras formas de organizações humanas? A Igreja se equipara a qualquer outro clube ou associação? O que faz com que a Igreja se torne única em sua forma de existência? Seria a estrutura eclesiástica? Seria a crença em algum dogma distinto? Ou poderia ser ainda as atividades e projetos que ela desenvolve em prol da sociedade?

A resposta principal é que a Igreja é o Corpo de Cristo na Terra. Ela não é uma organização. Ela é um organismo vivo. A Igreja é o principal meio pelo qual Deus se manifesta ao mundo. A Igreja é o lugar onde Deus expressa seus desejos e projetos, buscando parceiros para sua concretização. E quando falamos que Deus se expressa pela Igreja, isso só pode acontecer pela atuação do Espírito Santo. E o Espírito Santo só age pela manifestação dos dons espirituais. Portanto, ser ignorante sobre este importante assunto é ser ignorante sobre o cerne do que seria a própria Igreja. Paulo faz essa alerta logo no primeiro versículo deste capítulo.

E esta manifestação do Espírito não é para apenas alguns membros da Igreja, ou apenas para a liderança ou os irmãos mais bem dotados e habilidosos. É para cada um! Todos são chamados a exercer os dons. Qualquer membro do corpo que não exerça suas funções faz com que todo o corpo fique aleijado. Um corpo é sadio apenas quando todos os membros estão ativos.

Mais à frente, no versículo 31, Paulo diz: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons...”. Isto nos leva a uma pergunta que muitos cristãos não sabem responder:

Qual é o meu dom?

Diante da necessidade de se procurar os melhores dons, esta dúvida pode atormentar muitos membros da Igreja que querem descobrir qual é sua função no Corpo de Cristo. É uma pergunta válida, mas perigosa. Perigosa, pois nela estão escondidos três erros fundamentais:

  1. O dom não é “meu”: O dom não é uma propriedade individual. O dom só faz sentido quando ele é usado em benefício do Corpo de Cristo. Um olho não pode se vangloriar por ter o dom da visão, a não ser que tenha alguma utilidade para todo o corpo. Isoladamente ele não tem serventia alguma. Na verdade, qualquer membro separado do corpo, por mais orgulho que tenha de seu dom, é algo nojento e desagradável. O dom é dado para ser dado;
  2. Não precisamos dar nome aos dons: Há uma facilidade muito grande em colocarmos uma “etiqueta” no dom como forma de se conseguir reconhecimento. E isso pode causar frustração. O dom não precisa ser reconhecido para ser atuante. O fígado é um bom exemplo. Um órgão interno, no qual ninguém presta atenção, a não ser quando está doente. Ao agir normalmente, ele produz hormônios sem os quais o corpo não funciona. Mas ninguém se lembra de dizer: “Parabéns, Sr. Fígado! Você está fazendo um excelente trabalho!” Todos os dons são necessários, mesmo quando não reconhecidos. O único reconhecimento que interessa é o que vem da Cabeça, Cristo, que recompensa a todos com justiça e no seu devido tempo;
  3. Você pode (e deve) exercer mais de um dom: Apesar de Paulo relacionar alguns dons em I Coríntios 12 e em Romanos 12, isso não significa que a lista se esgota ali. A diversidade de dons faz com que, eventualmente, no seu raio de ação, você precise desempenhar uma função que normalmente não seria sua. Alguém que tenha o ministério de louvor, por exemplo, pode entrar em contato com alguém que precise de oração para uma cura. Um intercessor pode exercer a hospitalidade. Um evangelista pode ser um líder. E todos nós somos chamados para uma grande variedade de dons, tais como servir, exortar ou repartir.

Afinal como descobrir quais são os meus dons? A pergunta precisa ser trocada. “Qual é o meu dom?” precisa dar lugar para “O que posso fazer agora para servir ao Corpo, e ajudar a fortalecer a fé de meus irmãos?” Percebam que o foco muda da própria pessoa para a Igreja. E ao responder esta pergunta você vai descobrir qual o dom que pode ser exercido naquele momento.

Para você pensar: Você já descobriu como servir ao Corpo de Cristo? Você não está confundindo habilidade com dom? Você está atento para, no seu raio de ação, descobrir como pode ser útil à Igreja, ajudando a fortalecer a fé dos irmãos?

Publicado em 1 Coríntios | Marcado com , , , , , | Deixe um comentário

Gênesis 17:1

“Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito.”

Imagine uma pessoa totalmente depravada, com linguagem indecente e comportamento totalmente inadequado. Agora imagine que essa mesma pessoa perceba, de repente, que uma criança inocente entrou no ambiente. Tenho certeza que, sem perceber, ela vai procurar agir de maneira diferente. De alguma forma ela vai tentar melhorar seu modo de falar, de se comportar, em respeito à inocência daquela criança. Irá até mesmo repreender seus companheiros a se comportarem adequadamente. Enquanto houver em nós algum resquício de humanidade, e mesmo que não tenhamos nenhum apreço por valores morais e éticos, mesmo assim a presença de pureza irá nos incomodar de alguma forma.

A mesma coisa acontece quando estamos diante de pessoas de grande importância. Quase automaticamente nos empertigamos, procuramos nos portar adequadamente. Passamos a nos preocupar com a maneira com a qual falamos. Até mesmo nossas roupas passam a nos incomodar. Afinal, não podemos nos colocar diante de uma pessoa da realeza, por exemplo, sem a devida vestimenta. Mesmo que nós mesmos não pertençamos à realeza, queremos, diante de alguém que a ela pertença, nos portar de tal maneira que, de alguma forma, possamos, pelo menos, nos parecer com alguém que pertença àquele ambiente.

Quando Deus falou para Abrão para andar na Sua presença, imediatamente ele colocou a seguir a consequência de se andar na presença de Deus: ser perfeito! A ordem dos acontecimentos é muito importante. Não temos que ser perfeitos para entrar na presença de Deus. Pelo contrário. É o fato de andarmos na presença de Deus que vai nos fazer vencer o pecado e tudo aquilo que é imperfeito. O simples fato de compartilharmos essa poderosa presença, irá nos incentivar a nos assemelharmos à santidade que compartilhamos. A presença da luz é poderora para expulsar as trevas que estejam no ambiente.

A grande pergunta que resta é a seguinte: Como andar na presença de Deus? Para responder a esta pergunta temos que nos lembrar que um dos atributos de Deus é sua onipresença. Quando dizemos que Deus é onipresente queremos dizer que Ele está em todos os lugares ao mesmo tempo. Não há lugar no universo no qual Sua presença não esteja. Nem mesmo o inferno escapa do seu conhecimento. Mesmo quando declaramos em nossas reuniões nas igrejas que “Deus está aqui”, estamos sendo redundantes. Assim sendo, a pergunta tem que ser mudada. Não há mais dúvida se andamos ou não na presença de Deus. Isso já é uma realidade. A questão que resta é: Como podemos perceber a presença de Deus?

Só o fato de mudarmos a pergunta já nos coloca em uma situação muito incômoda. Se antes nos preocupávamos se estávamos ou não na presença de Deus, de repente chegamos à conclusão de que nunca estivemos fora dessa presença. Não sei você, mas isso me deixa bem inquieto. Afinal, tudo o que fiz na vida até agora foi feita na presença de Deus. Inclusive os meus pecados. Sem nos darmos conta, é como se tivéssemos nos comportado inadequadamente na presença do Rei! Uma situação inaceitável.

Isso me lembra a situação que Jacó viveu quando, ao fugir da casa de seus pais, teve um sonho, no qual teve uma visão de uma escada, com anjos subindo e descendo sobre esta escada. A visão o impactou tanto que ao acordar do sonho declarou: “Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.” (Gênesis 28:16). A descoberta da presença de Deus não foi uma experiência agradável. Tanto que no versículo seguinte Jacó disse: “Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.” A casa de Deus não era aquele lugar específico onde Jacó dormiu. A casa de Deus é onde Deus está, onde Ele se revela.

Nos últimos dias, segundo as Escrituras, a presença de Deus não será mais ignorada: “E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro” (Apocalipse 6:15-16). O impacto da presença de Deus será maior do que essa aparente realidade que vivemos, e a verdadeira realidade se mostrará tão impactante que o desespero dos que a ignoraram será terrível.

Para você pensar: Qual o motivo de não termos ciência da presença de Deus de maneira constante? Como “andar na presença de Deus”, como o próprio Deus ordenou a Abrão? Você se preocupa com o fato de que, mais cedo ou mais tarde, a verdadeira realidade se revelará? Não seria melhor cultivar a presença de Deus enquanto temos tempo?

Publicado em Gênesis | Marcado com , , , | 1 Comentário

Jó 1:20-21

“Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Então prostrou-se no chão em adoração,e disse: ‘Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor’.”

Certa vez passei por uma grande dificuldade. Foi um dia específico em que precisava de um livramento do Senhor em uma área específica. Passei o dia inteiro muito angustiado (me lembro que era uma segunda-feira), chegando mesmo a ter febre e indisposição física por causa da pressão pela qual estava passando. Se Deus não agisse, não havia outra saída, e ao final do dia eu teria um problema de grandes proporções nas minhas mãos. Ao final do dia, ao chegar em casa, desabei, literalmente. Meu corpo estava totalmente esgotado e me sentia sem forças nem disposição para pensar em mais nada. Na verdade, minha vontade era sumir e voltar apenas quando o problema estivesse solucionado.

Você já passou por situação parecida? Já enfrentou situações muito difíceis, que só de lembrar delas você se sente mal? Pois era uma situação como essa que eu estava enfrentando. Felizmente, depois que cheguei em casa, recebi uma notícia que veio resolver o problema pelo qual eu estava passando. Eu não tinha dúvidas: Deus, na sua misericórdia, havia providenciado o livramento na hora certa, nem cedo, nem tarde. Deus havia operado um milagre, e eu era testemunha disso. Fiquei muito grato a Deus.

Mas, ao mesmo tempo, fiquei muito frustrado comigo mesmo. Afinal, se Deus trouxe o livramento na hora certa, eu havia me angustiado à toa. Fiquei com vergonha de Deus. Vergonha por não ter confiado 100% na sua provisão. Vergonha de pensar que, por ter me angustiado ao ponto de ficar doente, isso teria resolvido alguma coisa. Meu sofrimento foi em vão.

Isso me incomodou muito por vários dias. Descobri que minha fé era muito bonita teoricamente, mas na hora da prática se mostrou muito fraca e inconstante. Deus me mostrou que eu estava mais sujeito às circustâncias do que eu gostaria de admitir.

Veja o exemplo de Jó. O versículo acima mostra a reação dele diante de um problema infinitamente maior do que o que eu tinha passado. Ele perdeu os filhos, os bens e as propriedades em um único dia. Ele ficou triste? Com certeza! Ele se angustiou? Não tenho dúvidas que sim! Mas mesmo naquela situação ele reconheceu que Deus estava no controle. Mesmo prostrado no chão, ele adorou! E mesmo com a situação piorando no capítulo 2, com um ataque à sua saúde, Jó ainda assim continuou confiando em Deus (veja Jó 2:9-10).

Para Jó não havia dúvidas do que era mais precioso para ele. Não eram os bens nem as pessoas. Nem mesmo sua saúde. O bem mais precioso era seu amor a Deus. Ele não estava apegado à nada. Tudo o que Deus havia dado era bom, mas ele tinha consciência que na verdade tudo era dEle. Na verdade, temos que tomar cuidado com essas expressões: “Deus me deu isso”, ou “Deus me deu aquilo”. O perigo é começarmos a pensar que, já que Deus me deu, então o que Ele me deu é meu! E se é meu, eu não admito perder!

Não quero dizer que não devemos ser responsáveis com aquilo que Deus confia a nós. A parábola dos talentos é muito clara em relação a isso (Mateus 25:14-15). Seremos cobrados, sim, pela má gestão daquilo que Deus confiou a nós. Sejam bens ou talentos, somos responsáveis, mordomos do que Deus coloca à nossa disposição.

Mas não devemos nos esquecer que, no fim das contas, Deus quer nos usar. Mas só seremos úteis ao seu plano se estivermos com a atitude certa. Só terão utilidade para Deus os servos que amarem mais a seu Senhor, do que aos bens que o seu Senhor concede.

Para você pensar: Será que você não está mais apegado ao que Deus te confiou do que ao próprio Deus? Qual seria sua reação se Deus te pedisse o que tem de mais valioso, seja bem material ou pessoas? Qual o tamanho da sua confiança em Deus?

Publicado em | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Marcos 14:3-5

“Estando ele em Betânia, reclinado à mesa em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher que trazia um vaso de albastro cheio de bálsamo de nardo puro, de grande preço; e, quebrando o vaso, derramou-lhe sobre a cabeça o bálsamo. Mas alguns houve que em si mesmos se indignaram e disseram: Para que se fez este desperdício do bálsamo? Pois podia ser vendido por mais de trezentos denários que se dariam aos pobres. E bramavam contra ela.”

O conceito de desperdício pode variar de pessoa para pessoa. Para os homens que estavam presentes a esta cena, o fato de uma mulher quebrar um vaso de alabastro (considerado em alguns casos como uma verdadeira obra de arte) e derramar seu contéudo precioso de nardo puro (matéria prima para a elaboração dos mais puros perfumes) na cabeça de Jesus foi um tremendo desperdício. Trezentos denários correspondiam ao salário de, pelo menos, 10 meses de um trabalhador braçal. Com certeza essa mulher levou alguns anos para juntar esse pequeno tesouro para, em frações de segundo, “desperdiçá-lo” na cabeça de Jesus.

O valor das coisas é relativo. O que é precioso para um pode não ser para outro. O desperdício de algo para uma pessoa pode não ser considerado desperdício para outra. Mas há uma avaliação que é a mais importante de todas. Existe Alguém do qual todas as coisas se originam e, portanto, nada mais lógico do que levar em consideração a Sua avaliação:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – João 3:16

Aqui vemos o que Deus avalia como mais precioso: o amor que Ele tem pelo mundo! Ele considera esse amor tão valioso que se dispos a dar o que tinha de mais valioso por esse amor: Seu próprio Filho! O mundo citado nesse versículo se refere às pessoas que estão longe de Deus. Deus as criou. Deus lhes deu vida. Deus tem um propósito para elas. E Deus as ama! Mesmo que esse mundo não reconheça ou mesmo se lembre de que há um Deus que o ama. Isso pode nos levar a pensar: “Deus não está desperdiçando seu amor com um mundo que nem sequer o valoriza?”. Pois para Deus isso não é desperdício. Para Ele vale a pena.

E se Deus “desperdiça” seu amor conosco, será que Ele também não quer que nossas vidas sejam direcionadas por este mesmo princípio? Por exemplo, você já parou para pensar na quantidade de casamentos que se desfazem pelo simples fato de cada parceiro não querer mais “desperdiçar” seu tempo com o outro parceiro? Qual seria o padrão de Deus para o casamento? Surpreendentemente, o padrão de Deus é o mesmo:

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.” – Efésios 5:25

A expressão “se entregou”, usada no versículo acima, poderia muito bem ser substituída por “se desperdiçou”. Cristo deu sua vida sem condições, sem segundas intenções, sem esperar nada em troca. Ele não vinculou seu amor a nenhuma contrapartida. Na verdade, o que Deus espera de nós é que apliquemos  este mesmo princípio em todos os aspectos das nossas vidas.

“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” – Lucas 6:38

Para você pensar: Será que viver fora do padrão que Deus espera de nós não seria o verdadeiro desperdício?

Publicado em Marcos | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

2 Coríntios 5:21

Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

Somos impactados por qualquer forma de injustiça. Um estrupador ou assassino que escapa ileso e sem a devida condenação de seus crimes nos causa revolta e indignação. Um juiz que, ao permitir que um corrupto ou criminoso não sofra a pena devida, produz em nós o mais profundo sentimento de desprezo.

Este senso de justiça que temos espelha, de certa forma, a natureza divina que há em nós, que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Este senso de justiça se reflete também em nossas leis. Cada país tem sua constituição, que procura expressar o fundamento jurídico sobre o qual se baseiam todas as demais leis. E uma lei promulgada, para ser alterada novamente, precisa passar por todo um processo de muita justificativa, discussão e ponderação. As leis não podem ser mudadas constantemente. Quando isso ocorre, há uma insegurança jurídica, uma verdadeira anarquia, já que ninguém sabe se o que é legal hoje não pode ser ilegal amanhã, e vice-versa.

As leis da natureza, por sua vez, são imutáveis. A lei da gravidade, por exemplo, desde o início da criação, obedece ao mesmo princípio. Caso contrário todo o Universo entraria em colapso, já que a forma de organização dos planetas, estrelas e galáxias se baseia nesta simples lei. Ainda bem que podemos confiar que esta lei nunca falhará. Se tivéssemos alguma dúvida, sempre sairíamos de casa com medo de, de repente, nos desprendermos do solo e vagarmos indefinidamente no espaço, sem rumo.

A Bíblia nos dá um exemplo de um império que levava a sério as leis que eram promulgadas. Em Ester 3:12 vemos que o maldoso Hamã, com o anel do rei assírio Assuero (ou Xerxes, em outra tradução), selou leis determinando a destruição do povo judeu. Mais tarde o rei foi alertado dos maus intentos de Hamã. Mas mesmo sendo rei, ele não poderia revogar a lei selada com o anel real (Ester 8:8). A solução encontrada foi emitir nova lei que permitia ao povo judeu se defender de seus eventuais inimigos (Ester 8:10-11).

Nas igrejas hoje em dia ouvimos com frequência que Deus é Amor. Sim, Deus é Amor. Mas há um outro atributo de Deus, não tão divulgado, que é tão importante quanto este: Deus é Justiça! Isto significa que quando Deus estabelece certas regras, nem Ele pode quebrá-las. Se quebrasse, deixaria de ser coerente com sua própria palavra. Deixaria de ser Deus. Em vez de Deus, teríamos apenas um deus, como os deuses romanos e gregos, cheios de humores e temperamentos inesperados e incoerentes. E ai de nós se tívessemos um Deus que sempre estivesse “quebrando o galho” pra alguém, que passasse a mão na cabeça daqueles que transgredissem suas leis! Todas as regras do Universo estariam em perigo, e viveríamos ao sabor dos humores de um Deus soberano, mas totalmente inconstante.

Da mesma forma que a idéia de um juíz injusto nos causa estranheza, mais ainda deveríamos ficar inconformados com um Deus que não fosse fiel com suas próprias leis.

A alguns dias ouvi alguém fazer o seguinte comentário: “Ora, se Deus de fato ama o mundo, como diz João 3:16, qual seria a necessidade de mandar seu Filho para morrer por nós? Não bastaria simplesmente nos perdoar? Não seria mais simples e menos traumático?” Quando entendemos a natureza de Deus, e o que o atributo da Justiça significa para Ele, começamos a entender melhor que o sacrifício de Jesus era a única solução possível.

Em Gênesis Deus declarou: No dia em que o homem comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal ele morreria (Gênesis 3:3). Ali ele colocou uma opção: Ou o homem viveria em comunhão com Deus, obedecendo Sua vontade e tendo acesso à vida eterna, ou o homem escolheria desobedecer a Deus, fazendo sua própria vontade, saindo da presença do Autor da vida, e vivendo as consequências dessa escolha. Ali Deus estabeleceu uma lei. O resto da história nós conhecemos.

Por meio de Jesus a Justiça de Deus foi exercida. A punição que a raça humana merecia caiu sobre Jesus. Por meio de Jesus o Amor de Deus foi demostrado. Jesus foi a solução perfeita!

Para você pensar: Qual o seu entendimento da Justiça de Deus? Você consegue compreender a estratégia usada por Deus, em Jesus, para nos justificar? Você tem noção do que Jesus teve que abrir mão para, ao mesmo tempo, ser instrumento da Justiça e do Amor de Deus?

Publicado em 2 Coríntios | Marcado com , , , , | 1 Comentário

Atos 2:1-4

E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Esta passagem do livro de Atos tem servido de inspiração e motivação para o movimento evangélico pentecostal. O texto fala do vento e do fogo do Espírito Santo descendo sobre os que estavam reunidos naquele lugar, dando início a uma série de acontecimentos que constituem a base da história da Igreja. Este evento transformou um punhado de pessoas inseguras, amendrotadas e sem saber o que fazer em impetuosos pregadores do Evangelho, dispostos até mesmo a dar a própria vida em favor de sua propagação. Cerca de dez dias antes o próprio Jesus havia dado ordem para que eles permanecessem em Jerusalém, até receberem poder para serem suas testemunhas (Atos 1:8). Não bastava serem simples testemunhas. Eles já eram testemunhas, pois haviam convivido com Jesus durante todo o seu ministério, e visto todos os seus milagres, e ouvido todos os seus ensinamentos. Mas só esse testemunho não era suficiente. Era necessário testemunho com poder! E depois de dias em consagração e perseverando em oração, o poder veio!

E com o poder veio a intrepidez para testemunhar de Jesus, até mesmo em idiomas desconhecidos para os primeiros cristãos, seguido de sinais e prodígios. E o testemunho dessas pessoas moveu o mundo de então. Eles não fizeram um curso de teologia para isso. A maioria deles era de pessoas iletradas, pescadores, consideradas simples aos olhos da sociedade. Mas o testemunho falou mais alto. Um curso de treinamento, por melhor que fosse, produziria apenas mestres ou professores que falariam sobre os ensinamentos de Jesus. Mas testemunhas não transmitem ensinamentos. Testemunhas transmitiam o próprio Jesus. O fogo que eles receberam no dia de Pestecostes continuou se alastrando por meio do testemunho deles. As pessoas não conseguiam ficar inertes diante do que eles falavam. Quem os ouvia também era atingido pelo mesmo fogo!

Podemos perceber que hoje muitos buscam esse fogo. Mas se esquecem de que houve um período de consagração antes do fogo! Eles, juntos, obedeceram a ordem de Jesus e esperaram, em oração, que o poder fosse liberado. Há vários relatos de avivamento na história da Igreja que mostram a mesma ordem de acontecimentos. Antes do avivamento, sempre há um período de busca incessante, de quebrantamento, de arrependimento, de consagração. Não há poder sem consagração! Não há como Deus se manifestar a indivíduos que não o estejam buscando com toda a intensidade. É necessária a preparação do ambiente para que o Espírito Santo se manifeste. A consagração é o segredo. É o preço a ser pago por quem busca o poder que vem do alto.

Quero mostrar aqui duas passagens do Velho Testamento que mostram este mesmo princípio:

Então a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo (Êxodo 40:34)

Ao ler todo o capítulo 40 de Êxodo vemos a conclusão de todo um período de preparação para a construção do tabernáculo. Essa preparação envolveu a confecção de diversos utensílios e vestimentas e a construção de diversas estruturas. Muitas vezes a consagração vai exigir que novas estruturas sejam construídas e outras sejam destruídas. Houve consagração de ofertas, tempo, talento e pessoas. O resultado, depois de meses de preparação, foi a manifestação da glória do Senhor, enchendo o tabernáculo. Quem busca o fogo do Pentecostes não busca um fogo natural qualquer. O fogo em questão é a própria presença do Senhor e a manifestação da sua glória!

E acabando Salomão de orar, desceu o fogo do céu, e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa. E os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor, porque a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor. (2 Crônicas 7:1-2)

Nesta passagem vemos o resultado da consagração ao Senhor. Davi e Salomão consagraram uma verdadeira fortuna para a construção do templo. Não há notícia de obra que tenha exigido tanto material de alta qualidade quanto o templo. Como resultado a glória do Senhor encheu o local. Encheu de tal forma que impediu que os próprios sacerdotes fizessem qualquer coisa. Esta também é uma característica do fogo do Senhor: a presença de Deus impede que a ação humana interfira. Quando Deus age o homem não pode atrapalhar. Quando o fogo de Deus se manifesta só podemos esperar e observar o resultado da ação do Senhor. Um dos objetivos da consagração é justamente nos mostrar que o verdadeiro fogo do Senhor só vai se manifestar se dependermos 100% da direção do Senhor.

No Antigo Testamento o fogo de Deus desceu sobre o tabernáculo e sobre o templo. A partir do Novo Testamento o fogo de Deus desce sobre pessoas. O tabernáculo e o templo tinham como principal função ser um lugar para a manifestação da glória de Deus. Ali Deus falava e orientava seu povo. Ali Deus era soberano. Hoje o fogo só pode descer sobre pessoas para as quais Deus seja soberano. E por meio dessas pessoas cheias do fogo do Senhor, Ele vai manifestar sua vontade ao mundo, propagando assim seu Reino em toda terra.

Para você pensar: Você tem sentido a necessidade de ter o fogo de Deus na sua vida? Até que ponto você está disposto a ir para ter este fogo? Que cuidados você tem tomado para manter o fogo constantemente aceso em sua vida?

Publicado em Atos | Marcado com , , , , , | 3 Comentários

Gênesis 1:1

No princípio criou Deus os céus e a terra.

Os cientistas ficam muito frustrados ao lerem este primeiro versículo da Bíblia. A origem de todo o Universo se resume a essa simples declaração. Não há explicações maiores sobre como Deus fez ou o motivo de Deus ter feito. Ele simplesmente fez. A criação do Universo aqui é apenas um prelúdio para a história principal que se desenvolve a seguir: a criação do homem. Mas mesmo sem entrar em detalhes sobre a criação dos céus e da terra, o assunto volta a ser tocado diversas vezes nas Escrituras. Ao lermos essas passagens chegamos à conclusão de que Deus tem um interesse muito grande no destino dos céus e da terra. E se Ele tem interesse, também deveríamos ter um entendimento melhor do assunto.

Salmo 115:16 – “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.”– De quem são os céus? São do Senhor. E de quem é a terra? A terra nos foi dada! Essa afirmação é preocupante. Preocupante para aqueles que tem como alvo irem para o céu. Ir para o céu é uma crença forte no meio evangélico, mas não encontra muito amparo nas Escrituras. A sensação que temos é que os crentes tem uma esperança baseada na fuga deste planeta, que está condenado, para um destino celestial, onde não se sabe muito o que se vai fazer, mas que seria infinitamente melhor do que aqui. Mas o salmista nesta passagem deixa bem claro qual o local destinado à humanidade. Nosso lugar é aqui. Não podemos abandonar nossa herança. Ainda temos que cumprir a ordem dada a Adão: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a.” (Gênesis 1:28).

Isaías 65:17 – “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra…”– Deus aqui promete o surgimento de novos céus e nova terra. Não apenas novos céus. Uma nova terra também. Interessante. Ora, se a terra está condenada, qual o motivo de se criar nova terra? Quem habitaria nessa nova terra? Esses novos céus e terra são de fato totalmente novos ou serão frutos de uma “reciclagem”? Se você conhece a Bíblia com certeza sabe que já ocorreu uma “reciclagem” desse tipo com o dilúvio, na época de Noé. E o apóstolo Pedro vincula essa primeira “reciclagem” à próxima que provocará a criação de novos céus e nova terra: “Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mundo de então, afogado em água; mas os céus e a terra de agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o fogo, sendo reservados para o dia do juízo e da perdição dos homens ímpios.” (2 Pedro 3:5-7).

Mateus 5: 3 e 5 – “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus…Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” – O propósito original de Deus não era que céus e terra estivessem separados. No Jardim do Éden havia uma conexão direta entre os dois lugares. Podemos perceber que a comunhão entre Adão e Deus era de tal forma intensa, que nem havia a noção de separação entre entre o divino e o terreno. Deus conversava com Adão diretamente. Adão tinha acesso completo à presença de Deus. Esse era o motivo do homem ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, para que houvesse possibilidade de um relacionamento. Assim como não podemos nos relacionar plenamente com animais, por mais afeiçoados que sejamos a eles, assim também Deus não teria como se relacionar verdadeiramente com uma criatura, a não ser que ela pudesse corresponder,  na mesma intensidade, ao seu desejo de comunhão. Quando Jesus afirmou que o reino dos céus é dos humildes de espírito, e que os mansos herdarão a terra, na verdade ele está afirmando, em outras palavras, que o propósito inicial de Deus se concretizará: seremos pessoas que, assim como Adão, serão cidadãos do reino dos céus e, ao mesmo tempo, teremos direito hereditário sobre a terra. Eu não sei você, mas fico muito animado com a idéia e abismado em perceber a perfeição do plano de Deus para a humanidade.

Mateus 6:10 – “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” – Neste texto, retirado da oração que Jesus ensinou (Mateus 6:9-13) podemos ver que o Reino de Deus tem uma alvo bem claro. Ele tem origem nos céus, mas a intenção primordial de Deus é que o Reino seja estabelecido na terra também. E esse é caminho: sai dos céus (onde a vontade de Deus já é soberana) e vem para a terra (onde a vontade de Deus ainda não é plenamente satisfeita). Não é da terra para os céus. Somos os agentes dos céus, com a responsabilidade de estabeler o Reino de Deus aqui na terra. Não somos chamados para fugir de um reino inimigo para o Reino de Deus nos céus. Somos chamados a estabelecer o Reino de Deus em um lugar onde a vontade de Deus já reinou no passado, mas não atualmente. Essa é a nossa tarefa. Essa é a nossa esperança. Essa era a esperança de Pedro: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.” (1 Pedro 3:13).

Para você pensar: Até que ponto você compreende qual o seu destino no plano de Deus? Qual tem sido a sua esperança em relação ao Reino de Deus? Você compreende que Deus te chama para ser um agente da expansão do Seu Reino aqui na terra?

Publicado em Gênesis | Marcado com , , , | Deixe um comentário