Efésios 3:1

“Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios.”

A “causa” pela qual Paulo se considerava prisioneiro de Cristo está bem descrita no capítulo 2 de Efésios. Paulo foi chamado para levar o Evangelho às nações, aos gentios, àqueles que antes estavam “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.” (Efésios 2:12). Antes de Jesus Cristo, durante todo o Antigo Testamento, vemos que o plano de Deus estava direcionado principalmente para a nação de Israel. Mas havia diversas pistas de que o plano de Deus não era exclusivo dos judeus. Para Abraão foi dito que ele seria uma benção para todas as famílias da terra (Gênesis 12:3). Salmo 96:3 diz: “Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas.

Mas mesmo com estas e outras pistas, o entendimento de que o Evangelho também era para os gentios (como eu e você, se não formos judeus) era algo totalmente impressionante para a época de Paulo e de difícil aceitação. Basta verificar a dificuldade encontrada pelos apóstolos quando o centurião Cornélio, que era romano, se converteu (leia Atos 10). Paulo chega a chamar esse entendimento de “mistério” (Efésios 3:3 e 6), algo que esteve oculto por gerações. Esta era a causa pela qual Paulo estava disposto a dar a própria vida.

Temos a tendência de imaginar a vida de Paulo como uma sequência de viagens e aventuras, levando o Evangelho a uma região muito grande. E de fato, considerando as condições de viagem e a tecnologia da época, podemos afirmar, com certeza, que a obra missionária de Paulo foi de um alcance incrível. No entanto nos esquecemos que Paulo passou anos na prisão. Quando ele afirma nesta passagem que ele era “prisioneiro de Jesus Cristo” não se trata de uma linguagem figurada. Ele não apenas ficou preso como passou por sofrimentos físicos na prisão. Paulo afirma em Gálatas 6:17: “Trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”, referindo-se aos açoitamentos que eram prática comum nas prisões romanas.

Mas mesmo passando tanto tempo no cárcere, o ministério de Paulo não foi prejudicado por este fato. Muito pelo contrário! Graças às prisões de Paulo hoje nós temos o Novo Testamento! Boa parte de suas epístolas foram escritas ali, inclusive Efésios. Se as viagens missionárias de Paulo, enquanto livre, tiveram um grande impacto no mundo conhecido, muito mais suas cartas, escritas enquanto acorrentado, que produzem efeito até nossos dias.

Você consegue imaginar o que nós teríamos perdido se Paulo tivesse se deixado desanimar por estar na prisão? Em momento algum ele se colocou no papel de vítima. Jamais questionou Deus, duvidando de seus planos e desígnios. Não encontramos menção a qualquer sombra de dúvida ou incredulidade. Seu sofrimento não foi motivo para esmorecer. Como preso, ele não necessitava ser fortalecido, mas fortalecia: “Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória” (Efésios 3:13).

Há algo de estranho entre o exemplo que Paulo deixou e o que é pregado hoje. É preocupante a ênfase em bênçãos imediatas (que Deus pode, sim, nos conceder) em detrimento de se ter uma vida controlada totalmente por Deus, independentemente de para onde Ele possa encaminhar sua vida. O termômetro que mede se você está em Deus é aferido com a quantidade de bençãos na sua vida. Prosperidade, saúde e felicidade são hoje a medida de se estar no centro da vontade de Deus. Testemunhos de cura, libertação e provimento são incentivados. Há algo de estranho nisso tudo. Não é este o Evangelho que Paulo pregava. O que ouvimos hoje é a pregação de um sub-Evangelho, que pela falta de sua essência, na verdade não é evangelho nenhum. E o que é pior: este sub-Evangelho traz uma segurança baseada em uma sub-salvação, que no final pode se revelar como salvação alguma. Você confiaria sua vida eterna na prática de um sub-Evangelho?

Para você pensar: Qual tem sido a medida usada para aferir sua fé? Você tem uma causa pela qual você daria sua vida, assim como Paulo tinha? Você encara eventuais momentos de dificultade como oportunidades para aprender de Deus, e para ser usado por Deus? Até que ponto sua fé tem se baseado na pregação de um sub-Evangelho? Você tem buscado de Deus o entendimento do que seja o verdadeiro Evangelho?

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Sobre Wilson Moraes

Brasileiro, casado com a Maria José, pai do Gabriel, da Jordana e da Camila. Procurando servir a Deus de maneira intensa e verdadeira. Colocando minha vida a serviço do Seu Reino.
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Uma resposta para Efésios 3:1

  1. PR. ISRAEL. disse:

    Verdades bíblicas mostram realidades do verdadeiro evangelho de Cristo sendo pregado, muitas vezes com tribulações.
    Muito bom!

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